"Durante o INOV Contacto a adaptação ao estilo de vida em Concord foi uma sucessão de descobertas" Carlota Almeida, C23

A Carlota Almeida participou na 23ª edição do INOV Contacto.
Estagiou na Louis Karno & Company em
Concord, nos Estados Unidos.
Recordando esta experiência, a Carlota falou-nos dos impactos
do INOV Contacto no seu desenvolvimento pessoal e profissional. "Em março de 2019 o programa INOV Contacto levou-me até
Concord, nos EUA. Não fazem ideia de onde fica, pois não? Bom, eu também
nunca tinha ouvido falar e descobri que há várias cidades com este nome, após
um par de horas a imaginar como seria a minha nova vida na cidade e estado
errados. Esta foi a primeira lição: os EUA são um país ainda maior do
que a sua dimensão no mapa nos faz prever. E se, enquanto europeia, julgava
os Estados Unidos um país acelerado, na vanguarda da tecnologia,
individualista, capitalista e um tanto ou quanto desumanizado, Concord
mostrou-me precisamente o oposto. Capital do estado de New Hampshire, com menos de 50 mil
habitantes e sem prédios com mais de três andares, Concord
"estranhou-se, mas depois entranhou-se". Redefini o que é qualidade
de vida. Troquei o carro pela bicicleta, o trânsito por ruas simpáticas, onde
cumprimento quem se cruza comigo, as grandes cadeias de lojas pelo comércio
local e o bulício de Lisboa por um silêncio profundamente reparador. Na esfera profissional, as aprendizagens também foram
intensas. Saí de um openspace
com cerca de 20 pessoas, para uma agência onde era uma de três funcionários.
Isto traduziu-se num elevado grau de responsabilidade, autonomia e
“desenrascanço”. E, embora já tivesse experiência profissional, aprendi muito
por tentativa e erro pois, desde o início, tive tarefas que envolviam
responsabilidade. Aventurei-me no marketing digital, tive liberdade para
escrever sobre o meu país e ganhei confiança suficiente para o fazer numa
língua que não é a minha. Ao longo do estágio apercebi-me de que a cultura de trabalho
portuguesa pode inspirar-se mais na americana. É a produtividade que faz um
bom trabalhador e não o número de horas que este passa sentado à secretária.
Por outro lado, os assuntos triviais ficam do lado de fora da sala de
reuniões. Entrar cedo e não perder quase duas horas a almoçar permitiu-me
regressar a casa a tempo de aproveitar o resto do dia. E, ao contrário do que
julgava, uma cidade pequena tem muito para oferecer. A adaptação ao estilo de vida em Concord foi uma sucessão de
descobertas. Num país com infraestruturas feitas para carros em vez de
pessoas, uma tarefa simples como ir ao supermercado era, por vezes, difícil.
E aqui entra uma das lições mais importantes destes 6 meses e que diz
respeito às pessoas. Numa cidade pequena encontrei um enorme sentido de
comunidade e, apesar de não conhecer ninguém, nunca me senti sozinha. Todas
as pessoas com quem me relacionei estavam dispostas a ajudar-me, a acolher-me
e a integrar-me. Foi com as pessoas que aprendi a viver num contexto tão
diferente. Comecei a reavaliar distâncias e comodismos, a ponto de viajar 14
horas num autocarro durante a noite para visitar outras cidades, ou acordar
de madrugada para ir ver o oceano e considerar isso normal. Em Concord o dia a dia é mais calmo e simples, não há excesso
de estímulos ou de escolhas e a proximidade com a natureza é, sem dúvida, uma
das maiores vantagens. O worklife
balance, tão em voga, foi uma realidade aqui. Viver e estagiar numa cidade pequena nos EUA é ter o melhor
dos dois mundos. É ter acesso aos recursos de um dos maiores e mais
influentes países do mundo, sem os gastos e o desgaste de uma grande
metrópole. Sair de Lisboa e da Europa fez ruir vários preconceitos que
tinha em relação aos Estados Unidos, fez-me incorporar partes da sua cultura
no meu modo de vida e valorizar aspetos da minha realidade que tomava como
garantidos. Aliás, o que se aprende com o choque cultural em apenas 6
meses é o que torna o programa INOV uma experiência tão marcante e
enriquecedora. |